Ator desconhecido

fevereiro 28, 2010

Ontem, visitei a 17 Paralela. Conheci um grande ceramista Nerivaldo Moreira Mota, o Nelinho como gosta de ser chamado. Muito atencioso me deu uma aula de cerâmica e respondeu todas as perguntas de uma curiosa aprendiz. Contou passo a passo o processo de produção de uma peça e mostrou em sua máquina as fotos de suas novas criações. Habilidoso, modela desde os 10 anos em Maragogipinho, grande centro de cerâmica a 80 km de Salvador. Aprendeu a arte com sua mãe, como poucos hoje ousam fazer. Esperto percebeu a necessidade de inovar e das travessas e jarros tradicionais passou para os lustres, pias, mandalas… Fiquei admirada com sua habilidade criativa e sua capacidade de comunicação. Ingredientes importantes para se destacar dentre tantos artistas anônimos. Mas ele é mais um. Mais um que não assina suas peças e perde sua obra nesse mundão até que outro a ache e a nomei. Como já acomteceu. Fui enfática na recomendação não só da assinatura mas também discriminação da origem. Não sei se o convenci. Afinal sou uma desconhecida sem nome nem procedência.

Cerâmica Maragogipinho BA - foto do folder Sala do Artista Popular CNFCP

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O que você tem a oferecer?

dezembro 28, 2009

Há alguns dias atrás participei da festa de final de ano do The Hub, um grupo de pessoas que está lutando de diversas formas por um mundo melhor. Lá fui surpreendida por uma espécie de correio elegante solidário. Ao invés de você enviar uma mensagem há alguém, você oferece um “serviço” a outrem. Sem remetente certo, dentro de uma cesta de palha, a sua oferta sta até que algum sortudo a escolha sem saber o conteúdo. O premiado vem até você então para receber o presente. 15 minutos de aula de francês, 15 minutos de terapia, 15 minutos de fotos, 15 minutos de massagem… são sempre 15 minutos de alguma coisa que quem oferta oferece a outra pessoa sem exigir nada em troca. Pelo prazer de dar algo, sem interesses individuais (em troca de dinheiro, para receber alguma retribuição…).

Para mim foi um exercício e tanto pensar em algo para oferecer. A gente está sufocado pela cultura do dinheiro e da excassez. Não consegue pensar em algo sem tentar monetizar ou julgar se terá ou não valor para o outro.  Acabei oferecendo 15 minutos de curiosidades da cerâmica, algo apreendi nesses 5 meses de aula. Foi muito interessante, você ver que tem coisas para oferecer ao outro. Se todos tivessem essa disposição, gerariamos mais riquezas que poderiamos distribuir. Dividindo os conhecimentos, os bens, as idéias…

Nessa lógica surgem as feiras de trocas, ambientes onde todos levam o que podem oferecer e trocam por outros produtos e serviços. Ainda não participei de um evento como esse mas já estou colocando na minha lista de metas para 2010.  Vale a pena conferir!

http://feiradetrocascentro.blogspot.com/

5 minutos

outubro 29, 2009

O mundo é grande, mas não é dois. Tanta coisa por ai para a gente conhecer. Tem que aprender uma novidade por dia. E tem dia que dá até para aprender duas.

Hoje, foi um desses. Sem pretensão, em 5 minutos de conversa com a Cida, uma das bordadeiras do grupo Artesãs da Linha Nove, sai com a sacolinha cheia.

Ela estava ao lado da mesa de produtos à venda na inauguração da exposição de bordados de sua comunidade na A CASA. Com prancheta na mão, anotava feliz as encomendas da clientela admirada com os pontos miudos e coloridos.

O melhor gancho para puxar papo com artesão é perguntar algum detalhe do processo de produção de suas peças. É bom ser reconhecido pelo seu trabalho. Ser doutor no assunto. Explicar algo que só você sabe.  Auto-estima transforma!!!!!

Logo comecei a elogiar as peças, elogiei, elogiei, elogiei mais um pouquinho. Ai veio a primeira lição:  “Muito obrigada! Não obrigada por mim só. Obrigada por todas!”. Você chegou lá, mas não foi sozinha não, foi com o coletivo. O coletivo das bordadeiras, dos filhos das bordadeiras, das amigas das bordadeiras, das vizinhas das bordadeiras, da família das bordadeiras. Estavam todos lá, orgulhosos no tal do coquetel de lançamento. O trabalho cresceu e não coube mais lá. Por isso a comunidade saiu e invadiu A CASA, as lojas da vila… o mundo.

Já diziam por ai “O trabalho valoriza, engrandece, transforma, potencializa, ressucita, enaltece, reconhece, revigora o homem”.

A Cida? Ahhh, Cida. Sorrisão no rosto. As possibilidades se multiplicaram. O mundo se abriu. E ela, na derradeira pronuncia “Sinta-se a vontade”.

Bordados das artesãs da Linha Nove – exposição de 28/10 a 18/12 na A CASA Rua Cunha Cago, 807 – Pinheiros – São Paulo/SP. Horário das 10h às 19h. www.acasa.org.br

Gira, gira Fabio Smith

agosto 12, 2009

Depois que você começa a modelar o barro, passa a olhar de um outro ângulo as peças de outros ceramistas. Você admira, mas logo se pergunta como fez, como conseguiu aquela cor, de onde tirou aquela idéia, será que é modelagem manual ou torno… Você quer aprender com aquele artista. Você quer compartilhar. A sua apreciação deixa de ser apenas contemplativa e ganha uma boa pitada de porquês. Uma necessidade absurda de ter o autor por perto te domina. Você quer desvendar os mistérios, quer dividir. 

Nas visitas recentes que fiz ao ateliê de J.Borges ou a oficina de Brennand, me vi em muitos momentos desejando ser surpreendida com achegada deles.  Já não sei se cruzei Brennand ou foi uma miragem. Aquele homem de longas barbas brancas entrou naquela porta e sumiu? 

Quando vi peças de Fabio Smith, o movimento me intrigou.

 

Casal Coco de Roda - Artista Fabio Smith. Foto de seu site www.fabiosmith.com

Casal Coco de Roda - Artista Fabio Smith. Foto de seu site http://www.fabiosmith.com

 

Por que quando pintamos ou modelamos queremos registrar um momento único, estático? Como se fosse uma foto pousada. Se fazemos o balanço do corpo do casal, a cena que você vê não para ali. Ela segue. Você consegue ver o vai e vem. A peça está viva. Você imagina como é a música que eles estão dançando. Sente a força do abraço.

 

 

Namorados - obra de Fabio Smith. Foto do site do artista www.fabiosmith.com

Namorados - obra de Fabio Smith. Foto do site do artista http://www.fabiosmith.com

 

E canta a morte do boi: “O meu boi morreu, que será de mim? Manda buscar outro, Ô maninha, lá no Piauí”.

 

Boi de Reis de Fabio Smith. Foto do site www.fabiosmith.com

Boi de Reis de Fabio Smith. Foto do site http://www.fabiosmith.com

 

Estou admirada com o trabalho desse artista. Registros vivos de nossa cultura. Um dia ainda visito seu ateliê com direto a bate bola com o ceramista.

No seu lugar – artesanato nos hotéis e pousadas

agosto 8, 2009

 

O artesanato é para ser sentido. 

A rede só é rede quando a gente se deita nela e balança. 

 

Rede - Pousada do Toque

 

 

A colcha só é colcha quando nos aquece. 

 

 

Colcha de filé - Pousada do Toque

 

 

O lustre de palha só é lustre quando ilumina a escuridão. 

 

 

Luste - Pousada do Toque

 

 

E os bonecos de cerâmica, quando habitam o jardim.

 

 

Bonecos no jardim - Pousada do Toque

 

 

A hospitalidade de uma pousada e de um hotel está também na decoração. Usar peças artesanais para ambientar os quartos, salas e restaurante adoça os espaços. É uma maneira de divulgar a arte local aos visitantes.

 

 

Cantinho - Pousada do Toque

 

 

Por que não aproveitar e vender as peças que estão expostas? Feiras e lojinhas de artesanato não são os únicos locais de venda. 

 

O turismo tem potencial de ser uma das principais atividades econômicas do pais. Quando compra artesanato, o turista divide sua renda não só com os hotéis e restaurantes, mas com rendeiras, ceramistas, costureiras, artistas e artesãos do local. Garantia de que poderão viver de sua arte.

 

 

Mesa - Pousada do Toque

 

 

Observação: para quem ficou curioso, as fotos são da Pousada do Toque – São Miguel dos Milagres – Alagoas www.pousadadotoque.com.br


 

 

 

 

 

 

Os ares do Alto Moura – Pernambuco

julho 21, 2009

Artesanato é hoje uma fonte de renda, o que é muito bom! Mas isso não garante que novos mestres surjam. A genialidade de um mestre não pode ser aprendida. Sua criatividade, inspiração e inventividade brotam naturalmente e nem sempre são herdadas.

Andando pelo Alto Moura (a 7 km de Caruaru/Pernambuco), vemos os antigos mestres cederem espaço aos novos artesãos. 

 

Lojinhas 1 Alto Moura

 

Lojinhas 2 - Alto Moura

 

Lojinhas 3 - Alto Moura

 

Mas a originalidade das peças não tem se renovado na mesma velocidade. Muitas namoradeiras e neguinhas malucas se multiplicam. Todas semelhantes com aquelas que vi há alguns anos atrás em Ouro Preto. A reprodução é mais acessível, a criação é para poucos.

 

Bonecas - Alto Moura

 

Ainda dá para sentir sobros de criatividade pelo ar. O Memorial Mestre Galdino guarda peças que rompem qualquer referência, surreais e fantasiosas dividem lugar com alguns poucos versos do ceramista. Admirável organização em tão pequeno porém rico espaço.

 

Mestre Galdino a eterna vanguarda

Mestre Galdino a eterna vanguarda

 

Ao contrário da Casa de Mestre Vitalino que reune pouquíssimos objetos pessoais. Suas obras estão espalhadas por esse Brasilzão.

 

Casa de Vitalino, hoje museu. Na porta seu filho, Severino, recebe os convidados

Casa de Vitalino, hoje museu. Na porta seu filho, Severino, recebe os convidados

 

Temos que registrar e repassar a história daqueles que ainda têm muitas lembranças a contar. Severino Vitalino estava recebendo os convidados na porta da antiga casa de seu falecido pai. Mestre Vitalino completaria, este ano, 100 anos e é homenageado na Festa de Junina de Caruaru. Severino também é ceramista. Faz questão de afirmar que copia o estilo de moldar de seu pai, percussor da arte figurativa. Nas mãos de seus descendentes pulsa o legado de Vitalino e em cada peças um registro do jeito nordestino de viver. Assista Severino no vídeo http://www.youtube.com/watch?v=VZwads6x8xM&feature=related

 

Ateliê família Vitalino

 

Mais adiante está Emerson, neto de Zé Caboclo. Sua família preserva a tradição. Num pequeno ateliê se revezam. O importante é manter a atmosfera criativa de onde podem brotar novos talentos e manter a força da grife que carregam como sobrenome. 

 

Ateliê família Zé Caboclo

 

Elias Francisco do Santos divide o espaço da loja com algumas peças de linha de produção (namoradeiras, neguinhas…). Como ele mesmo diz “Meu estilo é outro, gosto de bicho, de pescador e de vaqueiro”. Viva a diferença. Ele, que se auto nomeia o primeiro aprendiz de Vitalino – há controvérsias – mantém a memória ativa e relembra alguns fatos desses 70 anos de cerâmica. 

 

Mesa de trabalho do Elias Santos

Mesa de trabalho do Elias Santos

 

Frescor também se encontra no ateliê/loja Luis Antônio. Retratar o povo de sua terra não é óbvio. Eu garanto. Já se sintou um estrangeiro em seu próprio país?

 

Bóias-frias de Luis Antonio Silva

Bóias-frias de Luis Antonio Silva

 

Há que peneirar o joio do trigo. Mas o importante é que o Alto Moura permaneça um grande centro de arte figurativa apesar da pausterização que já chegou por lá. A inspiração e o DNA dos grandes mestres andam soltos. Vá se costipar!!!!!

Bico Singeleza: uma renda tombada

julho 14, 2009

D. Marinita era a última rendeira que sabia fazer bico singeleza. Foi o que a guia do Museu Théo Brandão (Maceió/AL) me contou. Quando ela morreu, partiu com ela a técnica daqueles delicados e miudinhos pontos. Não ensinou suas filhas porque não chegou a tê-las e, as amigas, pergunto-me porquê. Será que aquela senhora de 80 e poucos anos tinha idéia de quão rara era sua arte?

Foto do site Tudo Alagoas

Foto do site Tudo Alagoas

Custa acreditar que um saber pode sumir. Registrá-lo é uma maneira de preservar a técnica, mas não de mantê-la viva. O saber pulsa quando está na voz do povo e é tocado pelas suas mãos. Quando aqueles que o detém se lisonjeiam em conhecê-lo e aqueles que o desconhecem glorificam os que o perpetuam.

Foto do site Tudo Alagoas

Foto do site Tudo Alagoas

A iniciativa de inscrever o bico singeleza no Livro de Registro do Patrimônio IPHAN é essencial. Mas que lindo seria se esse saber fazer voltasse para o meio do povo. Comprar as rendas é uma maneira de incentivar as rendeiras a manter sua arte e seu interesse em repassar seu conhecimento adiante. O desafio é despertar nas novas gerações essa vontade de aprender, de manter aquilo que caracteriza e define seu povo.

A “carreira na capitar” é mais sedutora. Mas não descarta o saber.

Minha mãe não aprendeu tricô nem crochê. Eu engano no tricô. Acho que ela não aprendeu, inconscientemente, para romper com aquele modelo de mulher dona de casa prendada. Eu já quero somar os saberes da minha avó com as da minha mãe. Tricotar e trabalhar fora.

Fiz agora uma rápida pesquisa na internet e fiquei sabendo que as responsáveis pela inscrição do bico singeleza no IPHAN (Josemary Ferrane e Adriana Guimarães), seguindo as exigências do instituto, organizaram oficinas de bico singeleza em Marechal Deodoro (cidade de D. Marinita). Vale a pena ler as entrevistas com D.Marinita e com Adriana no site www.tudoalagoas.com.br/cultura034.htm

Oxalá os saberes e fazeres sejam ondas em constante vai e vem. Assim a arte continuará viva e quiçá se renovando de mão em mão.

Turismo + Artesanato

julho 13, 2009

 

Acredito que o momento que estamos mais suscetíveis a comprar artesanato é quando viajamos. Há aquela vontade de levar algo que te faça lembrar daqueles dias maravilhosos que se passaram. Uma peça artesanal feita pelas mãos das comunidades locais e que traduza as particularidades daquela cultura é perfeita. 

 

Para o turista conhecer a arte do local que está visitando é essencial haja espaços que apresentem essa arte para ele. As feiras de artesanato podem ser um deles desde que não se restrinjam ao artesanato souvenir (ler post anterior) e vendam manualidades feitas pelo povo, o chamado artesanato de tradição. Aquele que passou de geração em geração e que se tornou sinônimo da cultura local.


Em Maceió, visitei o Mercado de Artesanato na Levada um ótimo exemplo de espaço que traduz a essência da arte alagoana. Num passeio pelos corredores é bonito de se ver as rendas filés, as mantas e colchas feitas nos tear, as sandálias de couro, as bolsas, cestos e chapéus de palha, as tigelas de barro. Os vendedores alagoanos preservam a simpatia e gentileza do povo nordestino, a verdadeira receptividade brasileira. Conversando com uma vendedora super atenciosa, soube que os artesãos de diversas localidades vem até a feira para revender suas peças aos lojistas que os pagam semanalmente ou mensalmente pelas vendas. As grandes capitais têm o dever de reunir a arte de todo estado. Se são elas que concentram os grande fluxos de turistas, precisam reunir a diversidade da arte local.


Os menores preços são uma das vantagens do Mercado de Artesanato (Levada) frente as demais feirinhas da orla. Além é claro de se conhecer um autêntico espaço da cidade e não uma tendinha para turista ver. Para chegar a Levada conhecemos outro lado da cidade e saímos da pequena faixa Pajuçara – Jatiúca que reúne a maioria dos hotéis e restaurantes e os cartões postais da capital alagoana. Vale o passeio! 


Mercado de Artesanato

Parque Rio Branco, 31 – Levada – Maceió/AL

Segunda a Sábado das 7 as 18hs e Domingo das 8 as 12hs 


Há museus que também cumprem o papel de apresentar a arte/artesanato popular ao turista. Nessas férias visitei três deles o Museu Théo Brandão (Maceió/Alagoas), Espaço do Artesanato de Pernambuco (Bezerros/Pernambuco) e Museu do Barro (Caruaru/Pernambuco). Todos muito bem organizados e conservados e com entradas acessíveis (R$ 1 a R$ 2). Os dois primeiros, inclusive, com direito a visita guiada. Bárbaro! 


Museu Théo Brandão 

Avenida da Paz, 1490 – Maceió/AL

Terça a sexta-feira das 9 h as 17h e Sábado das 14h as 17h


Espaço do Artesanato de Pernambuco

BR 232 – km 107 – Bezerros/PE

Terça a sábado das 9h as 17h e Domingo das 9h as 13h

www.artesanato.pe.gov.br


Museu do Barro

Praça Coronel José de Vasconcelos, 100 – Caruaru/PE

Espaço Cultural Tancredo Neves, Bloco B

Terça a sábado 9h as 17h

 

De onde vem a inspiração?

julho 13, 2009

 

Andar pela Oficina Brennand (Recife/PE) me inspira. 

Será mesmo que nada se cria?

 

 

Templo Brennand

 

 

A textura das cerâmicas me provoca. 

Por que teimo em alisar o barro? 

 

 

Cabeça gigante - Brennand

 

 

Os marrons de vários tons

Os verdes azulados 

Os azuis esverdeados

Tento descrever as cor.

 

 

Moringas - Brennand

 

 

A grandiosidade das peças me intriga. 

Onde estão os por quês e os como? 


 

Escultura Gigante - Brennand

 


E imaginar que retas podem fazer curvas.

E curvas, retas.

 

 

Curvas e retas - Brennand

 

 

O barro grava o que o vento não leva.

 

 

Letras no barro - Brennand

 

 

Levo uma caixa de lápis nas mãos.

 


Lápis na mão - Brennand
 

Quero um jardim de esculturas.

 

 

Jardim de escultura - Brennand

 

 

É preciso expirar para inspirar. 

Engolir para vomitar.


De onde vem uma idéia? Do nada?


É claustrofóbico pensar que estamos presos a referências.

Tudo se torna.


Será que algum dia vou criar? 

Romper com os exemplos

Com as cópias, com os modelos

Com o certo, com o manual

Com o belo, com o magro

Com o limpo, com a reta

 


Oficina Brennand

Propriedade Santos Cosme e Damião s/n

Várzea – Recife/PE

http://www.brennand.com.br

 

 

 

J. Borges

julho 13, 2009

 

Visitei o ateliê do J. Borges, xilogravurista e poeta pernambucano. Não dei a sorte de encontrá-lo, mas fui recebida pelo seu cunhado, responsável pela impressão e pintura das peças. 

 

 

J. Borges é o universo nordestino. Sua habilidade de representar o cotidiano, os costumes e o imaginário da sua gente é impressionante.

 

Xilogravura J.Borges

 

Sua definição para as gravuras que representa:

 

“As histórias que vi acontecer, vivi ou ouvi alguém dizer”

 


Cordel J.Borges

 

Daquele dia, não vou me esquecer de 4 imagens:

 

1) A estante que ocupava uma parede de 4-5 metros de comprimento com vários cordéis, alguns deles escritos pelo próprio J. Borges com causos populares

 

Cordéis Ateliê J. Borges

 

2) A parede cheia de matrizes de madeira com as gravuras feitas pelo artista que, hoje, são também vendidas 

 

Matrizes - Ateliê J.Borges

 

3) A pancada de trabalho

 

Pintura da matriz - Ateliê J.Borges

 

Pincéis e tintas - Ateliê J.Borges 

 

4) O seu filho mais novo, creio que com 12 anos de idade, concentrado desenhando com lápis de cor (infelizmente, não tenho uma foto). Entre as matrizes, alguns de seus modelos. Seu estilo já desponta. O legado de J.Borges se perpetuará com a família muito dedicada ao oficio.

 

Endereço: Av. Major Aprigio da Fonseca, 420 – Rodovia BR 232 – Bezerros/PE