Depois que você começa a modelar o barro, passa a olhar de um outro ângulo as peças de outros ceramistas. Você admira, mas logo se pergunta como fez, como conseguiu aquela cor, de onde tirou aquela idéia, será que é modelagem manual ou torno… Você quer aprender com aquele artista. Você quer compartilhar. A sua apreciação deixa de ser apenas contemplativa e ganha uma boa pitada de porquês. Uma necessidade absurda de ter o autor por perto te domina. Você quer desvendar os mistérios, quer dividir.
Nas visitas recentes que fiz ao ateliê de J.Borges ou a oficina de Brennand, me vi em muitos momentos desejando ser surpreendida com achegada deles. Já não sei se cruzei Brennand ou foi uma miragem. Aquele homem de longas barbas brancas entrou naquela porta e sumiu?
Quando vi peças de Fabio Smith, o movimento me intrigou.

Casal Coco de Roda - Artista Fabio Smith. Foto de seu site www.fabiosmith.com
Por que quando pintamos ou modelamos queremos registrar um momento único, estático? Como se fosse uma foto pousada. Se fazemos o balanço do corpo do casal, a cena que você vê não para ali. Ela segue. Você consegue ver o vai e vem. A peça está viva. Você imagina como é a música que eles estão dançando. Sente a força do abraço.
E canta a morte do boi: ”O meu boi morreu, que será de mim? Manda buscar outro, Ô maninha, lá no Piauí”.
Estou admirada com o trabalho desse artista. Registros vivos de nossa cultura. Um dia ainda visito seu ateliê com direto a bate bola com o ceramista.
Tags: cerâmica, fabio smith, paraiba


agosto 7, 2010 às 10:14 am |
Realmente o trabalho de Fabio Smith é marcante e único — cheio de atitude.
A Babel das Artes tem peças do ceramista. Enviamos para todo o Brasil e exterior.
Fabio Smith acaba de ganhar Menção Honrosa no 3º Salão Nacional de Cerâmica, em Curitiba. Tem post sobre isso em nosso blog. Visite-nos!
http://www.babeldasartes.com.br/blog